Esse pensamento tem me acompanhado nas duas últimas semanas, e acho que tem a ver com o fato de que eu quero me enxergar dessa forma completa, com um começo, meio e fim. Menos uma “coisa” e mais uma “forma”, seja ela qual for. Olho para os outros (na verdade fragmentos deles) no twitter, orkut, blog, facebook, fotolog, flickr, nas conversar lacônicas via msn, nos relatos de terceiros e assim vou construindo, a partir dessas breves informações, seres imaginários, incrivelmente mais seguros que eu. Fico com aquela sensação de que todos são redondos, quadrados, retangulares, perfeitamente simétricos, menos eu. Que todos têm hobbies interessantes, trocam sempre a televisão pelo livro, caminham na praia apesar da preguiça e têm um grupo de amigos e uma lista de contatos de e-mail bem mais suculenta que a minha. Penso que entendem tudo o que lêem e são seguros de seus atos. Eles são, enfim, inteiros, mas eis que chego pertinho e enxergo vários fragmentos mal coordenados e desfocados e penso que talvez eu e eles não sejamos tão diferentes quanto eu imaginava.